"antidemocráticos"

"Atos bolsonaristas contra instituições é desespero com as pesquisas", relatam jornais do mundo

NY Times, The Guardian, El País, Telesur alertam para manifestações que pedem atos além da fronteira da legalidade

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Manifestantes em São Paulo ostentam faixa bilíngue na avenida Paulista neste 7 de Setembro - Paulo Lopes/AFP

Os atos golpistas estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro neste feriado de 7 de setembro que foram registrados pelo Brasil ganharam repercussão em diversos jornais internacionais, que alertaram para os discursos antidemocráticos das manifestações. 

Para o britânico The Guardian, os protestos encabeçados por Bolsonaro colocam a democracia brasileira "no limite". Segundo o jornal, os atos golpistas foram organizados em uma "tentativa" do presidente brasileiro de "projetar força no pior momento de sua presidência desde janeiro de 2019". 

::O que é o Conselho da República, órgão que Bolsonaro quer acionar para dar golpe::

"Muitos cidadãos temem a violência enquanto apoiadores linha-dura de Bolsonaro vão às ruas para defender um líder cujas classificações despencaram como resultado de escândalos de corrupção envolvendo seus aliados e parentes e sua postura diante da pandemia da covid-19 que matou mais de 580.000 pessoas", afirmou o periódico.

O Guardian ainda afirmou que há "temor" de que o presidente brasileiro, "com o apoio dos militares", possa "estar pronto para uma tentativa de autogolpe", declarando que Bolsonaro "tomaria poderes ditatoriais". 

"Alguns apoiadores de Bolsonaro pediram publicamente que ele fizesse exatamente isso na segunda-feira (06/09), enquanto se reuniam na capital, Brasília, onde o presidente deveria se dirigir aos apoiadores", afirmou o jornal.

El País
Por sua vez, o espanhol El País afirmou que Bolsonaro convocou "seus fiéis a tomarem as ruas", tendo como "objetivos finais" das manifestações antidemocráticas "angariar apoio popular", o "ataque sistemático à divisão de poderes e tentar reverter as pesquisas [eleitorais]", que, segundo o jornal, "refletem uma popularidade em declínio em meio à crise econômica".

"Seu discurso, em tom messiânico e diante de uma multidão, incluiu uma ameaça de golpe aos juízes da Suprema Corte que o investigam por espalhar notícias falsas", disse o El País. 

Ainda de acordo com o periódico, Bolsonaro usa as manifestações golpistas como o "máximo intérprete dos desejos populares". "Seus constantes ataques à separação de poderes e seus gestos autoritários alimentam periodicamente o temor de um autogolpe ou de algum tipo de quebra da ordem constitucional na terceira maior democracia do mundo", afirmou. 

New York Times
O jornal norte-americano New York Times afirmou que as manifestações antidemocráticas foram convocadas por Bolsonaro após uma "queda nas pesquisas [eleitorais]", "economia turbulenta" e "investigações judiciais" contra o presidente. 

"Nos últimos dias, o presidente classificou esse dia como um momento decisivo para seu movimento político", disse. 

Segundo o NYT, o mandatário brasileiro procura "retratar" os críticos ao seu governo como "vilões dissimulados" que estão "preparando o cenário" para o retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, de acordo com o jornal, é um "arquirrival político" de Bolsonaro.

Página/12
"Bolsonaro mais uma vez ameaçou as instituições democráticas", disse o jornal argentino Página/12. Para o argentino, insultos ao Supremo Tribunal Federal (STF) acontece após a Corte "dar luz verde às investigações contra elas devido às campanhas de notícias falsas e repetidas ameaças".

O Página/12 apontou também no discurso de Bolsonaro em Brasília os ataques contra as instituições brasileiras, em especial ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Ainda na reportagem, o jornal disse que "seguidores do presidente" começaram a se reunir nesta terça-feira em diferentes partes do Brasil, afirmando que "prédios públicos acordaram blindados por importantes operações de segurança". 

Telesur
A emissora latino-americana Telesur também deu destaque para o tom de "ameaças" de Bolsonaro contra a democracia brasileira. No entanto, o veículo apontou as manifestações contra o governo que aconteceram em mais de 160 cidades do Brasil. 

Tais protestos "exigem a saída de Bolsonaro quando o país celebra sua Independência". "O chefe de Estado mobilizou seus seguidores para participarem de manifestações de apoio ao seu governo em um momento em que crescem as versões da intenção de Bolsonaro de atacar a democracia brasileira", disse a Telesur. 

Al Jazeera
Já a Al Jazeera disse que as manifestações desta terça-feira em apoio ao presidente aconteceram quando Bolsonaro está "travando uma batalha política" com as instituições do país.

"Bolsonaro, cuja popularidade está no nível mais baixo de todos os tempos, está tentando disparar sua base e flexionar sua força política em face de uma economia em declínio, aumento do desemprego e inflação, e uma série de investigações dirigidas a ele e seu círculo íntimo", disse a emissora catari.

Para a Al Jazeera, as manifestações golpistas desta terça-feira têm "ecos" do ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro por apoiadores do ex-presidente Donald Trump, "a quem Bolsonaro é frequentemente comparado".