Rio de Janeiro

SEM TRÉGUA

No Rio, bairro do Jacarezinho foi o mais afetado pela violência em janeiro

Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que a região teve 20 tiroteios, 2 mortos e 7 feridos no primeiro mês do ano

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
No dia 6 de maio de 2021, o bairro do Jacarezinho foi palco da maior chacina policial registrada na história do estado do Rio de Janeiro - Voz das Comunidades

O bairro do Jacarezinho, na zona norte do município do Rio de Janeiro, foi o mais afetado pela violência no primeiro mês de 2024. Os dados do Instituto Fogo Cruzado mostram que o local acumulou 20 tiroteios/disparos de arma de fogo em janeiro. Segundo o levantamento, o número é o maior dos últimos oito anos.

Desde 2022, o Jacarezinho é ocupado pelo projeto Cidade Integrada. De acordo com o Fogo Cruzado, após a ocupação da polícia, o número de tiroteios cresceu 79%. 

“Neste período de 24 meses houve 68 tiroteios/disparos de arma de fogo na região, com 13 pessoas mortas e 19 feridas, entre 19 de janeiro de 2022 e 31 de janeiro de 2024. No mesmo intervalo de tempo, 24 meses, no período pré-Cidade Integrada, entre 7 de janeiro de 2020 e 18 de janeiro de 2022, foram 38 tiroteios no Jacarezinho, com 28 mortos e 11 feridos”, aponta dados do relatório mensal do Instituto.

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Na avaliação de Maria Isabel Couto, diretora de Dados e Transparência da organização, o estado do Rio de Janeiro segue sem um plano de segurança pública, e o que ocorre no Jacarezinho é consequência deste problema.

“O que está acontecendo no Jacarezinho é o resultado de políticas públicas feitas sem planejamento e sem monitoramento. É também resultado de uma escolha histórica dos governantes do estado do Rio de Janeiro de não construir planos de segurança pública efetivamente. O Cidade Integrada não é um plano de segurança pública. Ele é um projeto, como tantos outros que existiram em gestões passadas”, explica a diretora.

Rastro de sangue

No dia 6 de maio de 2021, a favela do Jacarezinho foi palco da maior chacina policial registrada na história do estado do Rio de Janeiro. A operação da Polícia Civil deixou 27 mortos e foi uma vingança após a morte do policial civil André Farias, baleado na cabeça no início daquela manhã. 

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Além das execuções sumárias, moradores denunciaram uma série de violações de direito, como invasões de casas, agressões e abusos de poder.

A chacina ocorreu durante a pandemia do coronavírus, com uma ação (ADPF 635) julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro, enquanto durasse a pandemia de covid-19, fossem restritas.

Outros bairros

De acordo com o relatório mensal do Fogo Cruzado, depois do Jacarezinho, o bairro de Brás de Pina, também na zona norte, foi o segundo com mais tiroteios em janeiro, totalizando nove registros.

Os cinco bairros mais afetados pela violência armada em janeiro, segundo o levantamento foram: Jacarezinho (Rio de Janeiro): 20 tiroteios, 2 mortos e 7 feridos; Brás de Pina (Rio de Janeiro): 9 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido; Praça Seca (Rio de Janeiro): 7 tiroteios e 3 mortos; Gardênia Azul (Rio de Janeiro): 6 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido; Éden (São João de Meriti): 6 tiroteios e 1 ferido.

*Com informações do Instituto Fogo Cruzado.
 

Edição: Jaqueline Deister