Rio Grande do Sul

Coluna

Basta de genocídio e normalização da opressão ao povo palestino

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A Frente Povo Sem Medo realizou uma ação simbólica de denúncia em frente à empresa AEL, em Porto Alegre, para exigir o rompimento imediato dos acordos - Foto: Comunicação MTST
Chega de cumplicidade e financiamento do genocídio! Exigimos o cessar fogo definitivo

Não há mais como aceitar que governantes no mundo todo e a corte internacional permaneçam sem impor sanções e punir o governo israelense e seus líderes sionistas pelos crimes perpetrados contra o povo palestino no mais intenso genocídio já visto e transmitido ao vivo.

Nesse momento, mais de 15 mil mortos palestinos foram contabilizados somente na Faixa de Gaza, destes 6.150 crianças e 4.000 mulheres desde o dia 7/10/2023. Tem-se noticiado que 1 milhão e 700 mil pessoas palestinas foram expulsas de suas casas somente nos últimos 54 dias pelos bombardeios e pela ocupação militar israelense, confirmando o objetivo da limpeza étnica da Palestina por Israel, que vem sendo executada há mais de 75 anos.

Não há mais como aceitar a normalização do genocídio, da limpeza étnica e do apartheid. Mesmo agora, durante a trégua humanitária, Israel tem descumprido o acordo e matou, prendeu palestinos e atirou contra os que estavam retornando para suas casas no Norte de Gaza. Também houve registros de crianças que atravessaram sozinhas os checkpoints, pois seus pais foram presos ao tentar atravessar para o Sul de Gaza e caminhões com ajuda humanitária foram barrados pelo exército israelense.

As mentiras propagadas pela mídia corporativa de que se trataria de uma “guerra” ou de que palestinos seriam “prisioneiros”, enquanto colonos israelenses seriam vítimas e reféns são cotidianamente desmentidas com os fatos que chegam ao nosso conhecimento. O jornal israelense Haaretz divulgou durante essa semana que os civis israelenses mortos em 7/10 foram mortos pelo próprio exército israelense.

Sobre a troca de reféns, o que vem a cada nova libertação de crianças palestinas, que foram presas em média por mais de dez anos, sem direito de defesa e numa legislação de apartheid, ou seja, numa legislação que tem maioridade penal determinada de forma diferente para palestinos e israelenses, são mais denúncias de torturas e violações dos direitos humanos.

Enquanto, reféns libertados pelo Hamas informam que receberam alimentação e foram tratados de forma humanizada. O que transparece além dessas violações é que as motivações para a prisão das crianças palestinas são: tirar fotos e filmar violações do exército de ocupação israelense, escrever e publicar informações sobre a derrubada de casas, espancamentos e negação do direito de ir e vir dos palestinos com os checkpoints e barreiras militares, jogar pedras contra soldados israelenses fortemente armados e negar-se a sair de suas casas. Ou seja, evidenciando que há criminalização do direito a resistência a uma ocupação militar ilegal e violenta.

Vale ressaltar que todo o povo sob violenta ocupação militar, colonização, opressão brutal e limpeza étnica tem o direito de resistência assegurado, como preza a resolução da ONU 4373 de 1982. Portanto, não há que se confundir a reação do oprimido com a violência do opressor.

Todas as resistências anticoloniais foram rotuladas de terroristas pelos colonizadores e opressores, como fizeram com Mandela na África do Sul, com os lutadores antiescravagistas nos EUA, com a resistência contra a ditadura militar no Brasil, assim como os argelinos na luta anticolonial contra a França foram rotulados de terroristas. Resistência não é terrorismo.

Colonização não é guerra. Bombardear escolas, hospitais, casas e prédios residenciais, igrejas e mesquitas, universidades, campos de refugiados é terrorismo. Ameaçar bombardear feridos, doentes, equipes médicas e jornalistas e seus familiares é terrorismo. Manter uma população civil cerceada por muros e checkpoints militares com bloqueio de alimentos, medicamentos, água e combustível é terrorismo e faz parte da instrumentalização do genocídio perpetrado pelo Estado Terrorista de Israel. Assim como cercear com tanques de guerra e bombardear hospitais, sendo que sob constantes bombardeios é evidente que a população ferida irá em busca de atendimento médico, ficando hospitais superlotados e, fica assim evidenciado o intento genocida de Israel.

O objetivo é não deixar os sobreviventes dos bombardeios receberem atendimento médico, assim como impossibilitar que as 50 mil mulheres grávidas presas na Faixa de Gaza tenham acesso ao atendimento pré-natal e no parto, fora as condições insalubres impostas pelo bloqueio desumano à Gaza, tudo isso faz parte do projeto de genocídio onde a intenção é matar mulheres e seus rebentos ou prováveis futuros filhos. Dados muito bem explicitados no número de mortes de crianças e mulheres nesses 54 últimos dias.

Fatos também relevantes são as prisões intensificadas de palestinos na Cisjordânia, onde mais de 3.100 palestinos foram presos desde o dia 7/10/2023, prisões que seguem ocorrendo mesmo na trégua humanitária que somente é válida para o território da Faixa de Gaza. Na Cisjordânia ocupada ilegalmente pelos israelenses todos os memoriais das cidades palestinas foram destruídos, incluindo os de celebração ao Yasser Arafat e à jornalista Shireen Abu Akleh morta pelos soldados sionistas.

Na Cisjordânia a ocupação ilegal israelense vem destruindo estradas, infraestruturas, lojas e fazendo incursões violentas, aterrorizando, prendendo, humilhando civis palestinos. Além do cerco e limitação de movimentação dos palestinos na região, que tem deixado civis em estado crítico de dívida e fome, Israel vem utilizando qualquer motivo para prisão e tortura de palestinos na Cisjordânia e Jerusalém, que são amplamente divulgadas na mídia israelense. A fome é só mais uma arma utilizada pelos colonos e militares israelenses contra o povo palestino.

Prisões ilegais, tortura e apartheid são crimes. O cerco à Gaza, onde a população palestina é utilizada como cobaia para testes de armas químicas e letais, é criminoso. A Faixa de Gaza é apontada em estudos como o maior campo de concentração já existente. Não há mais como permitir a cumplicidade com esses crimes. Os povos no mundo todo se levantam pedindo o cessar fogo definitivo e o fim do genocídio do povo palestino.

Daqui do Rio Grande do Sul, Brasil, exigimos o fim de todas as relações militares, econômicas, diplomáticas e comerciais com Israel. Chega de cumplicidade e financiamento do genocídio. Denunciamos que em Porto Alegre temos a empresa AEL subsidiária da Elbit Systems israelense, que produz o fósforo branco, os drones que agora estão a matar palestinos em Gaza, que produz a tecnologia de controle e monitoramento dos muros que cerceiam a Faixa de Gaza.

O governo do estado do Rio Grande do Sul e a Ufrgs possuem contratos com essa empresa, assim como a Marinha e a Aeronáutica brasileira. Exigimos do governo federal e estadual o rompimento imediato desses acordos, assim como da Universidade Federal. O conhecimento produzido em nossas universidades não deve servir para genocídio e opressão do povo palestino, assim como, acordos bilaterais não devem financiar crimes e violações aos direitos humanos. Basta!

Alertamos que as armas testadas sob os corpos palestinos são depois compradas pelos governos brasileiros, federal e estaduais, e usadas para repressão e extermínio do povo negro, dos povos indígenas, das periferias e dos movimentos sociais. O Brasil tem que deixar de ser o quinto maior importador de armas israelenses, basta de financiar limpeza étnica, apartheid e genocídio!

* Claudia Santos, Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino.

** Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato. 

Edição: Katia Marko