Rio de Janeiro

QG DA PROPINA

Ministério Público pede a prisão do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella por crime eleitoral

Denúncia apura desvio de dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral durante a campanha de 2016

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
marcelo crivella
Ex-prefeito do Rio chegou a ser preso em 2020, a poucos dias do fim do mandato - Tânia Rêgo/Agência Brasil

A 16ª Promotoria Eleitoral, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), confirmou nesta quarta-feira (11) que pediu a prisão do ex-prefeito da capital Marcelo Crivella (Republicanos) e outros por crimes eleitorais. A denúncia tem relação com o esquema que operou dentro da administração pública e que ficou conhecido como "QG da Propina".

O Brasil de Fato solicitou mais informações sobre o processo, mas o MP-RJ informou que "no momento, a promotoria aguarda o andamento do processo judicial com o recebimento da denúncia pelo juízo da 16ª Zona Eleitoral, não sendo possível fornecer outras informações".

Leia mais: Ministério Público Eleitoral denuncia Marcelo Crivella por omissão de R$ 1 milhão em campanha

Crivella e mais sete pessoas foram denunciadas por recursos no valor de R$ 1 milhão que não foram declarados à Justiça Eleitoral na campanha para a Prefeitura do Rio, em 2016, quando Crivella foi eleito para o cargo. Mas a investigação apura o desvio de pelo menos R$ 50 milhões no âmbito da campanha.

Em dezembro de 2020, Crivella chegou a ser preso a nove dias do fim de seu mandato. Foi no âmbito da Operação Hades que foi veiculada a suposta ligação do prefeito para o celular de Rafael Alves, então apreendido pela Polícia Civil. Na ligação, os investigadores identificaram a voz de Crivella do outro lado da linha, dizendo: “Alô, bom dia, Rafael. Está tendo uma busca e apreensão na Riotur? Você está sabendo?”.

A investigação aponta Rafael Alves como um dos operadores do esquema. Segundo o MP, ele esteve em uma reunião na casa de um empresário às vésperas do segundo turno da eleição para a Prefeitura do Rio, em 2016, e que ele teria pedido R$ 2 milhões a quatro empresários denunciados que participaram do encontro.

Em outra reunião, Eduardo Lopes, também denunciado como mais um operador financeiro da campanha, combinou que os empresários adiantariam o valor de R$ 1 milhão pagos em quatro parcelas de R$ 250 mil para cada um como doação não oficial. O dinheiro seria pago para Rafael Alves.

A assessoria de Crivella disse que a denúncia "causou estranheza", já que o MPE já havia afirmado que não havia razão para a deflagração de ação penal, arquivando o processo. O ex-prefeito disse, ainda, que acredita na rejeição da denúncia pela justiça eleitoral.

Edição: Eduardo Miranda