Rio de Janeiro

PEQUENA ÁFRICA

No Rio, Museu Memorial Pretos Novos reabre com exposição e laboratório interativo

Cinco anos após a última escavação, equipe de arqueologia do Museu Nacional vai realizar novas buscas no local

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
Estima-se que cerca de 60 mil pessoas foram enterradas no Cemitério Pretos Novos
Estima-se que cerca de 60 mil pessoas foram enterradas no Cemitério Pretos Novos - foto: divulgação

Na próxima quinta-feira (9), o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) reinaugura a exposição permanente do Museu Memorial Pretos Novos, localizado na região central da cidade do Rio de Janeiro. A mostra é dividida em três eixos e tem curadoria de Marco Antonio Teobaldo. 

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Em "Matriz Africana" o visitante poderá conhecer as diferentes civilizações africanas antes de serem escravizadas e suas contribuições para as ciências, tecnologias e artes. Em seguida, a exposição traça o percurso temporal do mercado da escravidão no Brasil, desde a chegada dos primeiros escravizados, no ápice do tráfico escravagista no Rio de Janeiro.

Por fim, a mostra retrata a tentativa de apagamento da memória da escravidão na Pequena África, o descobrimento do sítio arqueológico e seus desdobramentos.

No dia 8 de janeiro de 1996, a família Guimarães dos Anjos realizou uma descoberta que mudaria o rumo de suas vidas e da história carioca. A partir da reforma de sua residência na Gamboa, foi encontrado o Sítio Arqueológico Cemitério dos Pretos Novos. Desde a sua fundação, em 13 de maio de 2005, a família tem se mobilizado para preservar o sítio arqueológico e reverenciar a memória dos quase 60 mil corpos despejados naquele terreno.

Novas escavações

Cinco anos após a última escavação, a equipe de arqueologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) volta a campo para realizar novas buscas. Sob o comando da professora Andrea Lessa, o início está previsto para julho. O espaço terá um laboratório arqueológico interativo onde o público vai poder acompanhar de perto o trabalho dos profissionais.

Ela destaca que a pesquisa busca revelar um pouco mais sobre a vida e a morte dos cativos africanos, atores sociais protagonistas na formação social e cultural brasileira.

''Após tanto tempo de esquecimento, reconhecer o Cemitério dos Pretos Novos Novos como um importante patrimônio nacional e como um local sagrado para a população afrodescendente representa um resgate histórico obrigatório e um meio eficaz de preservação da nossa memória'', afirma a arqueóloga.

A reabertura também conta com a exposição "Erva Santa", do artista visual Geleia da Rocinha. As obras da série “Alguidar” trazem o olhar do artista através de ervas sagradas utilizadas nos ritos das religiões de matriz africana para a galeria de arte contemporânea.

Além do Museu Memorial e da Galeria de Arte Contemporânea, o IPN também conta com uma Biblioteca e um auditório onde acontecem oficinas. Após quase dois anos de pandemia, o Museu está aberto ao público. As visitações gratuitas acontecem às terças-feiras das 10h às 16h. De quarta à sexta, das 10h às 16h, e aos sábados das 10h às 13h, o ingresso custa R$ 20,00 (inteira) e R$10,00 (meia entrada). 

Serviço

Reinauguração do Museu Memorial Pretos Novos
Data: Quinta-feira (9)
Horário: 18h
Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN)
Endereço: Rua Pedro Ernesto, 34 - Gamboa
Mais informações no site.

Edição: Clívia Mesquita