Rio de Janeiro

MOBILIDADE

Aumento na tarifa do metrô faz Rio ter a passagem mais cara do Brasil

Segundo o Idec, nova tarifa vai comprometer 27% da renda do trabalhador que ganha um salário mínimo

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
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No país, o valor médio das tarifas praticadas no sistema sobre trilhos é de R$ 4,05, o que significa o comprometimento médio de 17% de valor de um salário mínimo - Divulgação/Metrô Rio

O Rio passou a ser a cidade com a tarifa de transporte público mais cara do Brasil no último domingo (2). A Agetransp, agência responsável por regulamentar o setor no Rio de Janeiro, autorizou a concessionária MetrôRio a fazer o reajuste de 25,71% e a passagem do metrô pulou de R$ 5 para R$ 6,30. Até então, a tarifa mais cara era do país era a do Distrito Federal (R$ 5,50).

No final de março, representantes do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) chegaram a ter uma reunião com a Secretaria de Estado de Transportes (Setrans) para evitar o reajuste da tarifa do metrô ou que ele fosse menor.

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De acordo com os cálculos feitos pelo Idec, o novo valor da tarifa do metrô vai comprometer 27% da renda do trabalhador que ganha um salário mínimo (R$ 1.045,00), resultado do pagamento de 44 passagens mensais. No país, o valor médio das tarifas praticadas no sistema sobre trilhos é de R$ 4,05, o que significa o comprometimento médio de 17% de valor de um salário mínimo.

"O Estado do Rio de Janeiro tem uma situação fiscal que dificulta a busca de novas receitas para financiar as tarifas no curto prazo, porque tudo precisa ser aprovado por um comitê de recuperação fiscal. Esperamos que ao menos um acordo semelhante ao que foi feito com a Supervia seja possível em relação ao metrô", explicou o coordenador do programa de Mobilidade Urbana do Idec, Rafael Calabria.  

Mobilização

Segundo o relatório "De olho no transporte", produzido pela Casa Fluminense, no período de um ano da pandemia da covid-19 a Agetransp também autorizou aumento de 26% nas tarifas dos trens da Supervia. Mas uma articulação de coletivos, organizações, movimentos estudantis, sindicatos, mandatos parlamentares, o Idec, a Casa Fluminense e a Defensoria Pública do Estado conseguiram reduzir o aumento de R$ 1,20 para R$ 0,30.

"Como não há integração tarifária entre ônibus e Metrô nestas linhas, o custo para chegar ao Centro do Rio, que concentra a maior parte das oportunidades na metrópole, é ainda maior. E ainda assim, mesmo sem integração e no meio de uma crise socioeconômica, surge o anúncio de mais um reajuste abusivo, dessa vez do Metrô", criticou a Casa Fluminense, no relatório.

Edição: Eduardo Miranda